segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mudar ou não de Breck?

Depois do Natal o clima começou a ficar tenso: apesar de os americanos dizerem que em janeiro as vagas de emprego aumentariam, tudo parecia apontar para o contrário. Sempre que procurávamos emprego, a resposta era “não” e o nosso medo da situação continuar aumentava junto com o tempo. Afinal, em poucos dias o dinheiro acabaria de vez: no dia 1 de janeiro cada um teria que pagar aproximadamente $400 de aluguel. Ninguém ali queria ter que pedir dinheiro aos pais para sobreviver lá.

Eu tirei a sorte grande, ao começar a trabalhar justo na semana do Natal (mais precisamente dia 23 de dezembro). Até então, não tinha visto a cidade tão cheia como naqueles dias. Aquela gente toda tinha que comer, né? Então, o movimento no Denzaemon aumentava. Quanto mais clientes, mais gorjeta. Essa era a lógica. Em uma semana consegui juntar boa parte do meu aluguel e acabei não precisando pedir dinheiro aos meus pais. Aliás, nesses quatro meses e uma semana nos EUA, não pedi um real deles para sobreviver. Só no final é que pedi ajuda, porque precisava comprar minha câmera profissional. Era caso de vida ou morte (haha).

Por causa do desemprego, quase todos os roomies começaram a pensar em mudar de cidade ou estado para tentar uma vida melhor. A Anne se decidiu rápido: se mudou para Boston no dia 24 de dezembro. Quem ficou só conseguia pensar se a situação estaria melhor em outro lugar, afinal, não valia a pena gastar tanto para se mudar pra chegar ao lugar a situação também estar ruim. Mas, ao mesmo tempo, não valia a pena ficar esperando as vagas de emprego surgirem do nada em Breckenridge.
O
clima começou a ficar tenso, porque alguém cogitou que todo mundo da “república” se mudasse para outra cidade/estado, para continuar dividindo casa. Mas, Cintia e eu estávamos empregadas. Seríamos loucas se largássemos um emprego (coisa difícil de conseguir) para ter que começar tudo do zero em um lugar novo. Além disso, ninguém queria de fato sair de Breck, todo mundo estava se dando bem demais na casa e a possibilidade de parar de dividir o teto com aquelas pessoas era bem triste de se imaginar. Então, decidimos persistir um pouco mais, à espera de um milagre que nem sabíamos se viria em janeiro - na verdade, nem sabíamos se viria um dia...

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