quinta-feira, 18 de junho de 2009

Como ser garçonete do Denzaemon

Talvez esse post só seja divertido para mim e para Cintia, afinal, vou explicar como era nosso trabalho no Denzaemon.

O expediente variava das seguintes maneiras: 11h15 - 15 horas, 12h15 -15 horas, 17h15 - 21 horas, 18h15 - 21 horas. Tudo dependia de qual garçom iria abrir o restaurante. Quem tinha que abrir, chegava uma hora mais cedo. Quando falo “abrir” não quero dizer “ter as chaves”. Só quem abria literalmente eram Mario, Pablo ou Kaz. “Abrir” para os garçons queria dizer colocar as placas de Open, os cardápios para levar (menus to go) e o boneco de neve (snowman) para fora; colocar água quente na cafeteira para fazer o chá verde; checar as mesas; limpar e colocar guardanapos se preciso; acender as luzes e o neon, ligar o rádio; abrir o caixa; pegar as louças limpas da cozinha e levar pra o balcão. Será que esqueci alguma coisa?

Quando os clientes entravam, de longe contávamos quantos eram e pegávamos os cardápios. Assim, quando eles já estavam terminando de descer a escada, já estaríamos prontos para recebê-los com sorrisos e frases do tipo “hey, how are you doing today?” ou “hey, table for five?” e levá-los até a mesa. Se fossem mais de duas pessoas, era preciso juntar mesas. Depois de esperar eles sentarem, tínhamos que colocar um cardápio na frente de cada um e perguntar se queriam água. Tudo isso sorrindo, vale lembrar (haha). Enquanto olhavam o cardápio, tínhamos os copos, encher de gelo e água, colocar na bandeja e ir entregar. Depois, era ficar vigiando discretamente para saber o momento certo em que estariam prontos para pedir. Íamos até eles e perguntávamos “are you ready to order?” e, quando diziam que sim, pegávamos o pedido, anotando segundo as regras: nome do garçom, número da mesa, aperitivos, depois pratos principais, depois bebidas, depois sobremesa.
Quando já estavam comendo, íamos até as mesas sorrindo e perguntando “is everything fine?” – era um jeito de saber se eles estavam satisfeitos e se queriam pedir mais alguma coisa, aí eles elogiavam a comida e/ou pediam alguma coisa (uma colher extra, mais guardanapo, uma tigela extra, um garfo, chopstick – palitinho de comida japonesa – e por aí vai). De vez em quando, perguntavam de onde eu era, tentavam adivinhar pelo meu sotaque e, na maioria das vezes, erravam: diziam que eu era europeia. Volta e meia um deles elogiava meu sotaque, falava que era bonito, e eu ficava toda feliz porque, obviamente dava para perceber que eu não era americana, mas pelo menos minha pronúncia não era feia como eu temia (haha).

Ficávamos olhando para a mesa o tempo todo (com sutileza, claro), para saber quando tinham acabado de comer, aí, tirávamos a bandeja, perguntávamos se queriam mais alguma coisa e, se a resposta fosse não, perguntávamos se poderíamos trazer a conta.

Na hora em que iam embora, agradecíamos e nos despedíamos geralmente com “thanks, bye bye, have a good day/night”.

Claro que não era simples assim todos os dias. Passamos por alguns perrengues, como clientes que ficavam insatisfeitos com a comida ou dias em que o estoque simplesmente acabava porque o entregador atrasou. Éramos obrigados a falar que um restaurante JAPONÊS estava sem arroz. Desesperador. Outro dia conto mais.

1 comentários:

darsh. disse...

adorei esse post! agora ja sei mais ou menos como me portar SE um dia eu for uma garçonente nos eua.hahaha

ps: tinha q ser europeia mesmo, branquela desse jeito :)