segunda-feira, 8 de junho de 2009

BackinBrasil entrevista

Quando pensei em algum personagem para entrevistar, as primeiras pessoas que vieram à cabeça foram aquelas que conviveram comigo lá nos EUA. Afinal, essa seria uma boa oportunidade para descobrir se eles viveram e sentiram tudo como eu vivi e senti. Confesso que fiquei curiosa, com vontade de fazer perguntas, para saber se ia me identificar com os sentimentos e opiniões. Para mim, essa entrevista foi diversão, nostalgia, saudosismo, tudo junto!

Então, Ninguém melhor do que o Rafael De Angeli, que planejou a viagem junto comigo, embarcou no mesmo avião, morou na mesma casa e viveu as primeiras impressões na terra gélida ao meu lado.

Infelizmente, ele foi um dos muitos atingidos pela crise econômica e não conseguiu emprego. Depois de quase dois meses de procura, resolveu retornar ao Brasil. Quando chegou aqui, acompanhou de perto nossas aventuras lá nos EUA. No dia em que voltei, eis que surge no aeroporto um magrelo alto com um chapéu na cabeça – o mesmo que costumávamos usar na nossa casa de lá. De longe reconheci: tinha que ser ele.
Na entrevista abaixo, Rafa (eu me permito chamá-lo assim, até aqui!) fala sobre a adaptação, os perrengues, as primeiras impressões, a falta de emprego e muito mais.


O que te motivou a viajar?

Depois de uns dois anos fazendo planos, quando conversava com você (sim, eu, Paula!) na UFES, decidi botar os planos em prática. Trabalhar nos EUA não era meu principal plano, definitivamente. Mas como tenho amigos que fizeram o programa de trabalho e gostaram, resolvi arriscar. Obviamente o fator dinheiro falou bem alto, porque que o pacote de viagem para somente estudar inglês custa muito mais caro.


Ao longo dos meses de preparação, o que te deixou mais ansioso?

O que me deixava angustiado era a possibilidade de não adaptação. Estados Unidos sempre foi uma coisa um tanto quanto fantasiosa para mim. Era aquele sonho de criança, com neve, frio, casas sem muro e tudo perfeitinho, sabe? A ansiedade vinha quando eu parava pra pensar que as pessoas poderiam ser grosseiras, que o clima poderia ser péssimo de sentir na pele, que a neve poderia ser horrível. Enfim, era essa dúvida do que viria pela frente.


Quando você chegou nos EUA, qual foi sua primeira impressão?

Quando estava chegando no aeroporto de Denver, capital do Colorado, comecei a perceber que nas fazendas que antecediam a pista de pouso haviam algum pontos brancos, que, ao chegar mais próximo do solo, deu pra ver que eram gelo. Fiquei muito empolgado, afinal seria a primeira vez que veria neve. (risos)

Cheguei ao aeroporto e corri pro lado de fora (discretamente, pra não ficar com cara de brasileiro farofeiro), pra sentir na pele a baixa temperatura. Gostei muito!

Mas a primeira impressão foi de tranquilidade. Do primeiro gelo que vi no chão até o momento que pisamos em casa, em Breckenridge, foi tudo muito mágico, de dar brilho nos olhos. Nenhuma decepção. A impressão foi ótima!


E a respeito dos americanos, alguma primeira impressão?

Na ida, fiz alguns vôos sozinho. No último, de Dallas (TX), para Denver (CO), fui sentado ao lado de um executivo americano. Faltando cerca de uma hora para chegar ao aeroporto, resolvi fazer um social com ele e destravar meu inglês.

Fiz a clássica pergunta "Could you tell me what time is it, please?”. Ele respondeu e sorriu de canto de boca, perguntando de onde eu era. Quando eu disse que era do Brasil, ele fez cara de felicidade, soltando o jargão mais ouvido nos meses seguintes, quando se falava de Brasil: “OH, REALLY?”.

Na conversa, ele me deu dicas sobre o clima, a alimentação, a cultura. Ainda me levou e mostrou a esteira onde iríamos pegar nossas malas, me conduzindo pelo trem do aeroporto (sim, um trem dentro do aeroporto).

Considerando isso, o primeiro contato com os norte-americanos foi ótimo. Nada mesmo a reclamar. São educados e sabem muito bem usar "sorry" e "excuse me", que faltam muito aqui no Brasil.


Alguma coisa te surpreendeu?

A educação, o respeito e a receptividade foram as características que me ASSUSTARAM, na verdade. Fiquei quase dois meses lá e voltei ainda chocado com a educação (e morrendo de vontade de chegar aqui e ver o mesmo das pessoas).

A comida também me surpreendeu. Eu sabia que era ruim, mas não tanto. Eles não dão a mínima pra saúde. Eu que sou meio natureba, sofri os dois meses, e de quebra, perdi 5 quilos.

Eles comem quilos de gordura e nem ligam. Não se importam de beber um litro de refrigerante a cada refeição. Alguns deles podem até ser ligados a exercícios físicos - o Colorado é um estado de pessoas "fitness" - mas o jeito que comem coisas industrializadas me assustou um pouco. Me assustava ver as mães saindo do supermercado e dando batata frita, hambúrguer e afins pras crianças! E ver velhinhos saindo dos fast foods também. Coisa incomum aqui no Brasil!


O que mais te marcou na viagem?

O primeiro contato com gelo - porque não era neve, e sim gelo o que vimos no chão pela primeira vez. Fiquei muito emocionado e, mesmo congelando de frio, porque eu só usava um moletom velho e uma camisa por baixo, eu não queria parar de pisar e olhar o gelo. Acho que é minha lembrança mais forte.


Tem vontade de repetir a experiência?

Muita. Dessa vez, acho que iria pra uma cidade grande, como eu sempre tive vontade. Eu fui parar em Breckenridge pela companhia e - claro - pela neve, que me enchia os olhos. Além disso, era uma cidade pequena, o que me deixava mais seguro em relação ao possível sofrimento caso rolasse um choque cultural muito forte.


Tem vontade de voltar para fazer Work ou outra coisa?

Acho que eu arriscaria qualquer coisa! Estudo, trabalho, turismo. Só esperaria um momento econômico mais propício. Isso sem sombra de dúvidas.


Falando em momento econômico, como foi a busca por empregos?

Foi angustiante. Sabíamos da crise econômica desde que saímos daqui, mas eu não pensava que fosse sentir os efeitos tão forte. Os vários e vários “NÃO” que ouvi durante os quase dois meses me entristeceram um pouco. Principalmente, porque foi dinheiro planejado e gasto sem concretizar o objetivo, que era trabalhar e pagar a dívida.


Pelo que você percebeu, o que os americanos achavam da crise econômica?

Se sentiam desesperados. Quando os brasileiros perguntavam se estavam empregando, a grande maioria respondia com um "I’m soooo sorry, but we are not!". Faziam uma cara de tristeza terrível.

As cidades de montanha sempre ficam cheias de imigrantes que trabalham nos empregos de temporada, sendo que nesse ano, ninguém conseguia nada. Isso desesperava também aos americanos, já que não podiam fazer nada a não ser simplesmente não empregar.

O desespero deles me deixava triste. Nós ainda éramos um tanto quanto "favorecidos", porque, se nada desse certo, na pior das hipóteses, voltaríamos para casa. Eles não! Faltava emprego e muitas pessoas perdiam casa, carro e outros bens. Isso me deixava realmente triste. Vê-los atrás dos balcões dos Mac Donald’s realmente me fazia ter certeza de que a coisa estava preta!


Como foi dividir a casa com 10 pessoas?

Não foi uma coisa assustadora pra mim como é pra grande parte das pessoas que fazem esse tipo de programa. Moro fora da casa dos meus pais desde os 14 anos, e isso ajudou bastante. O que me incomodou MUITO era a forma com que as pessoas se portavam para organizar a casa. Nunca fui fã de bagunça. Panelas, talheres e coisas sujas por DIAS na pia me tiravam do sério! Principalmente quando eu queria usar e todo mundo fingia que não tinha sujado pra não lavar. O banheiro também me estressava. Era imundo! Pra mim, impossível. Tanto que ofereci lavar o banheiro das meninas da casa em troca de usá-lo. Foi uma boa troca! (eu também amei, meu lerê!)


O que você aprendeu com a experiência no exterior? Que lição tirou disso?

Os dois meses fora do país me deixaram mais maleável e mais aberto a novas experiências. Quebraram um pouco do bloqueio que, creio eu, todo mundo tem quando encara um choque cultural. Aprendi a ter mais paciência com as pessoa e, principalmente, a respeitar as diferenças de hábitos.


















Parte dos roomies e as vizinhas, no Ano Novo


















Rafi, eu, Ani (Bulgária) e Felipe, no Brewery and Pub


















Na Highway 9, voltando do Cecilia's























Rafa depois de deitar na neve


Ele e Bonesi no deck do Ski & Racquet


Os roomies e as vizinhas, no Natal



Rafael e eu no ônibus Breck-Frisco

7 comentários:

rafael de angeli disse...

Mas que saudade que isso dá! Vamos voltar, vamos? hahaha
Beijos!

darsh. disse...

que tudodebom essa entrevista!!!! rafalindo, paulinda :)

Cintia disse...

soh celebridades!!

Nikoly disse...

Já falei que ODEIO seu blog?! HAuhaUHAU É que quanto mais eu leio, mais saudade dá!! =P hehehe Isso não é justoooo!! hunf!! Boto fé de voltarmos pra Breck só pra esquiaaaaar!! hahaha
;o*

universitariodebutuca disse...

aaaaaah, adorei :)
vamovoltarla?

Patrícia Carrion disse...

best interview ever!
pontos altos: "um magrelo alto com um chapéu na cabeça", por Paulinha e "brasileiro farofeiro", por Rafa. HAHAHAHAH
:)

L.S. Reis disse...

As fotos estão tudo de bom! \o/ Olha o Rafa ^^