terça-feira, 23 de junho de 2009

Ano Novo no escuro

O Ano Novo estava chegando: outra data que sempre passei com meus pais. Já tinha passado longe de toda a família, até dos meus irmão, mas não dos meus pais. Confesso que estava empolgada, mas sem grandes expectativas para a festa que combinamos de fazer na casa das vizinhas – a festa de Natal tinha sido na nossa casa, nada mais justo do que a de Ano Novo ser na casa delas. Falo de justiça (haha) porque no final das festas a casa virava um lixo: era copo sujo em lugares improváveis, louça suja, latinhas de cerveja espalhadas, móveis fora do lugar. Isso sem contar quando alguém não derrubada bebida no carpete e tínhamos que passar um produto louco para tirar a mancha!

Dessa vez, eu não sabia nem o cardápio da festa. Estava marcada para começar às 21 horas, Cintia e eu sairíamos do Denzaemon às 21h15 e iríamos para lá. Mas, como os meninos do restaurante (Mário e Pablo, da Espanha, e June, da Indonésia) não poderiam ir, eles convidaram a gente para fazer uma festinha no restaurante mesmo. Fechamos às 21h e ficamos tomando saquê gelado (hum, bom!) até 23h20, horário do último ônibus. Corremos e conseguimos pegá-lo a tempo: a virada tinha que ser em casa, com o pessoal.

Mas, eis que quando chegamos à estação, a motorista pergunta “vocês não vão descer? Essa é minha última parada” e nós duas “como assim? Daqui o ônibus não volta pro Ski & Racquet?!”. Para a nossa infelicidade, ela respondeu que não. Normalmente o ônibus laranja ficava fazendo o percurso Estação-Ski & Racquet, mas naquela hora a Estação seria o ponto final. Só para explicar bem: O Denzaemon ficava entre nossa casa e a estação, quase no meio. Ao pegar o ônibus, nos afastamos de nossa casa praticamente o dobro do caminho! Depois de xingar a motorista em português, saímos correndo para tentar chegar em casa antes da virada. Já devia ser 23h40 e ainda estávamos na Main Street. A rua e as calçadas estavam cobertas por uma camada de neve que já tinha se transformado em gelo (“icy”, como eles chamam), ou seja, tínhamos que andar com muito, mas muito, cuidado para não cair.

Faltando uns cinco minutos para chegar em casa, estávamos na Highway 9. Mais explicações geográficas: para chegar na nossa casa, tínhamos que andar nessa rua, que era uma reta até o condomínio. Era deserta e escura, porque nela já não tinha construções, como se a cidade terminasse e tivéssemos que andar numa estrada para chegar ao Ski & Racquet. Era pequena, era rápido chegar ao condomínio. Mas, quando Cintia e eu estávamos andando ofegantes, correndo contra o relógio, ouvimos gritos e muito barulho: 2009 tinha acabado de chegar. E nós duas ali, no meio do nada, sozinhas. Como não tinha jeito, levamos numa boa e desejamos feliz ano novo uma para a outra mesmo, morrendo de rir. Depois paramos para olhar como o céu de Breck estava lindo naquela noite e fomos andando mais devagar. Chegamos em casa 00h05 e todo mundo estava se perguntando onde estávamos. Contamos que ficamos tomando saquê no restaurante, pegamos ônibus “errado” e passamos a virada no meio do nada. Todo mundo morreu de rir e a festa continuou a rolar.


















Festa de ano novo

2 comentários:

Felipe Ribeiro disse...

Cada vez que leio esse blog a minha vontade de reviver tudo aquilo aumenta muito!

Cintia disse...

foi tao romantico...(L)

ahiuHIUhaiuHAIUHAIUAHUIhaiuahiuah